Do que são feitos os seus sonhos?

É ano-novo e esse poderia ser mais um texto sobre como definir metas, ser grata, disciplinada e ganhar aquele corpo perfeito em sete dias úteis (porque corridos complica, né, fim de semana, etc). Ou poderia ser um texto sobre como conseguir aquele emprego dos sonhos, já que, afinal, estamos no Linkedin.

Mas não é.

Eu não vou dividir com você como eu me organizo pra virar o ano; nem o que eu faço nos primeiros dias e nem vou te contar que sou a psicótica dos calendários e agendas, simplesmente porque acho que esse tipo de processo é muito – MUITO – pessoal, particular e intransferível.

Eu, que não caibo em nenhuma caixa, sei que sou capaz de demorar ANOS pra encontrar um caminho e, por outro lado, posso levar SEGUNDOS pra tomar uma decisão. Mas, como eu disse, esse texto não é sobre mim e nem sobre o ano-novo.

Ele tem a ver com você e com os seus sonhos. Não que você precise ter um, mas, talvez, ele esteja bem tímido lá no fundo.

Talvez aquela vontade de ser cientista quando foi convencida de que casar era a melhor coisa a fazer. Ou, talvez, o sonho de ser artista quando te disseram que isso era uma bobagem e aí você foi procurar uma profissão “séria”. Ou pode ser ver a aurora boreal. Ou viver perto do mar. Tanta coisa cabe na gente.

Tanta coisa grita na gente.

O corpo grita pra avisar em forma de doença. A casa grita pra avisar em forma de problema. O mundo grita pra avisar de tantas formas.

E parece que o sonho é feito do mesmo material da bolha de sabão.

Que, ao menor contato, *PUF*, já foi.

Porque o trabalho exige tanto, os filhos têm horário, o namorado ou a namorada pedem a sua atenção, a mãe tá de mudança, a amiga pediu ajuda, o colega do trabalho diminuiu seu projeto, o carro tá com um barulho estranho, o débito automático da Eletropaulo foi cancelado porque você, finalmente, mudou a titularidade e tirou o nome do seu ex-marido da conta de luz e tem que cadastrar tudo de novo no banco.

*PUF*PUF*PUF – foi.

Por isso, talvez, devêssemos gastar um tempo investigando quais são os sonhos que persistem.

Aqueles que fazem a vida gritar por não serem atendidos. Aqueles que, a despeito de tudo, seguem revestidos de aço com diamante: materializados, por exemplo, naquilo que você faz com muita naturalidade e/ou no que a tua história sempre foi te pedindo pra fazer.

Na forma de uma amiga que pede ajuda.
Na forma de uma mãe que vai de mudança.
Na forma do filho que tem horário.

Até a Eletropaulo pode te dar pistas, veja você.

Ao invés de procurar os sonhos fora… Procure-os dentro. Provavelmente você vai perceber que eles são feitos de carne, osso e coração.

E, só depois, ganham um cérebro.

Sinta. Feliz 2017.

Ana Gomes é Head de RH para a América do Sul na Solera e sustenta iniciativas de diálogo com líderes e mulheres de uma forma geral. Mais em http://www.antigonna.com.br

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