Ser, estar, permanecer e desistir

No fundo, tudo tem a ver com escolhas e com o que se quer não pro futuro – MAS PRO PASSADO

Neste exato momento estou cruzando a fronteira do Brasil com a Argentina (não me julguem) rumo ao Chile. Quase quatro horas de viagem são suficientes pra refletir sobre quase tudo na vida – principalmente sobre acontecimentos das últimas duas semanas, pelo menos.

Estou inundada por notícias do quase-certo-impeachment, da hamburgueria da Bel Pesce, da família morta na Barra da Tijuca, da falta de atenção padrão ao futebol feminino e, igualmente, à paraolimpíada. Claro, sem esquecer do photoshop da Cléo Pires, da minissérie Justiça, das ameaças à Mariana Belém no twitter e a super-ultra Beyoncé no VMA superando a Madonna – sério que ALGUÉM considera o fato de ALGUÉM ser melhor que a Madonna em algo? Malditos anos 2000.

Enfim.

Como se o contexto não fosse o suficiente, quase de propósito, o random do Spotify toca Evidências: sim, minha amiga, meu amigo, Chitãozinho & Xororó numa playlist batizada EMOTIONS com Adele e Tracy Chapman (e Norah Jones, mas não conta pra ninguém).

O que isso quer dizer?

Talvez, pra vc, nada.

Pra mim, que estive no sábado (27/08) com Executivos de grandes empresas desse país, quer dizer muita coisa. Falamos, especificamente, sobre negar as aparências, disfarçar as evidências e, às vezes, viver mentindo, enganando o coração e colocando-o de lado para, sabe-se lá quando, resgatá-lo de volta.

Mas não tivemos tempo de discutir o preço disso.

Porque eu vejo mensagens motivadoras no Facebook (grande Mark!) dizendo “quem desiste é porque nunca quis” ou “não conte suas vitórias a ninguém” ou “o que é seu vai chegar” ou, ainda, uma das minhas preferidas, “nunca aceitei um não como resposta” – e fico OH WAIT. REALLY?!?!?!

Essa semana me envolvi em um debate saudável sobre o silêncio. Sim, vc leu certo. Uma de minhas professoras manifestava o incômodo em relação a um silêncio específico e, contra minha religião que prega NÃO DISCUTIRÁS NO FACEBOOK, fui lá dizer que, talvez, o silêncio que julgavam ofensor, só talvez fosse só uma limitação pessoal (e intransferível). Não necessariamente tem a ver com o outro. E que abraçar esse tipo de limitação pode ser saudável, posto que a palavra tem o poder de matar mais rápido. Que bom seria se todos os silêncios fossem entendidos.

Pra isso não parecer conversa de bêbado, embora eu esteja no segundo copinho sem-vergonha de vidro de vinho tinto da cia. aérea (pelo menos é chileno! O vinho, não o copo), vou juntar as pontas: qual é a distância entre o ser e o estar em uma situação corporativa? E qual é a linha que separa a decisão – inteligente – de permanecer e a outra – tão inteligente quanto – de desistir?

Em que momento devemos optar pelo silêncio e pela paralisia mesmo sabendo que, dias depois, isso pode ser usado pra te classificar como incompetente e não-qualificado? Colocar o coração: até onde? Até quando?

O Nunca revelado.

Num preço caro pra uns, barato pra outros.

Você não constrói futuro. Você constrói passado. A cada milissegundo que você vive – você está construindo o passado que vai ser contado em entrevistas, em jantares de família, em rodas de amigos, em fotos bregas de casamento e retrospectivas de aniversários de 50 anos.

O que você tem não é um futuro.

É um passado mais ou menos digno de orgulho a depender do que você está construindo AGORA. É fruto das suas escolhas de todo minuto, um dia encostado no outro, que nem fila de INPS (alô entregando a ida-deee).

Finalmente, o que realmente quero dizer é: só você vai saber o que fazer. O que funciona pra mim, mulher, entre os 30 e os 40, com o meu tipo de História… muito provavelmente não vai funcionar pra vc. É isso. A Arte da Guerra é legal, Sun Tzu é bacana, mas sugiro parcimônia na aplicação.

Entre o ser, o estar, o permanecer e o desistir, tem 1001 maneiras de preparar, tipo Neston.

Não por acaso o Spotify resolveu tocar Nuvem de Lágrimas.

Fica aí com esse feedback.

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